Host Rick Levy fala ao BM sobre deixar a Funhouse e curiosidades da noite
Posted by AsTroNauTa 172 days ago (http://www.tonelada.org)Figura querida na noite paulistana, Rick Levy deixou seu posto de host na porta da Funhouse, clube rocker na região da Consolação, em São Paulo.Sempre simpático, ao contrário dos colegas que investem na "recepção carão", o host optou por largar a profissão-hobby de mais de seis anos ao receber uma oferta irrecusável, segundo ele, para trabalhar com acessibilidade em arquitetura, sua área de formação.Agora, pouco mais de uma semana longe das filas de festeiros do rock, Rick contou ao Banana Mecânica sobre sua experiência trabalhando na agitada noite de São Paulo, as dicas para uma boa festa e curiosidades sobre hosting.Banana Mecânica: Por que você decidiu sair da Funhouse? Quais são os planos para o futuro?Rick Levy: Saí, porque depois de muitos anos, quando eu já quase havia perdido as esperanças, fui chamado para trabalhar com arquitetura, em que sou formado há 12 anos, e numa área na qual vale a pena. Eu amo trabalhar à noite e sempre conciliei isso com a arquitetura, mas como realmente adoro a função de host, me dei bem nela e até então a maioria dos trabalhos que exerci na arquitetura eram relacionados a projeto - o que eu não gosto tanto -, deixei a arquitetura um pouco de lado. Mas agora me surgiu um convite irrecusável para trabalhar na área de acessibilidade, não pude negar.Como é passar o posto adiante?Foi tranquilo, viu! Não me senti triste nem nada - sentirei saudades em breve, claro. Mas passei tranquilo, porque tenho plena consciência de que meu trabalho foi muito bem feito. Senão eu, homem com 35 anos, não estaria até hoje fazendo trabalho de menina novinha de 18, né? Sei que dei certo. Então, senti como se fosse missão cumprida.Como ficará a sua agenda noturna agora?Agora eu virei gente normal, né? Hahaha Agora serei frequentador da noite. Aliás, me fale: o que tem na noite, hein? Sério! Passei tantos, mas tantos, mas taaantos anos trabalhando que eu não sei mais o que as pessoas fazem às sextas e sábados à noite, a não ser ir para a Funhouse. Me ensina: a gente sai cedo de casa, fica bebendo e depois vai para balada ou sai de casa à meia-noite e meia, uma hora, e vai direto para a balada?(Rick, o Banana Mecânica indica a Discotexxx, no Astronete, aos sábados, precedido por algum bar ali na região da Augusta)Para você, o que é uma boa festa?Boa festa é aquela em que, para começar, você é bem tratado logo na entrada. Não precisa vir com sorriso escancarado, abraçando e beijando e falando "ai, que bom que você veio, porque a noite está I.N.C.R.Í.V.E.L.", porque incrível estaria eu dormindo na minha cama. Mas como já me arrumei, sequei o cabelo, passei perfume, resolvi sair e estou pagando, então quero, para começar, sinceridade, honestidade e simpatia real logo na entrada. E não só por parte dos hosts (estes são pagos para agir assim, então não tem como fugir), mas também pelos seguranças, que ultimamente estão batendo recorde mundial no quesito "sou estúpido e me orgulho disso". Depois, já dentro da balada, o que vier é lucro, porque geralmente já se sabe mais ou menos que música vai escutar, quais pessoas vai encontrar, que drink haverá no menu, estas coisas óbvias. Então, se tudo isso andar nos eixos, para a noite perfeita realmente acontecer só depende do seu humor! Quais são os prós e contras de se trabalhar como host?Os prós são vários! Mas vários mesmo! Você conhece Deus e o mundo e isso é maravilhoso. Hoje 95% do meu networking é de pessoas que conheci nestes anos todos de noite. São amigos e contatos que não acabam mais! Fora a diversão, o bom astral, o bom humor que sempre te norteia numa boa noite, né? O que poderia ser um "contra" acaba se tornando um pró. Mas só para te responder, acho que o contra é você trocar a luz do sol pelo escuro da noite em todos os sentidos. Adeus sábados de dia, adeus domingos de dia. Mas quando você faz o que gosta, nem liga para isso, viu.E você pretende fazer alguns "bicos" como host por aí?Sim, claro. Porque quem está inserido uma vez na noite, estará sempre nela. Não tem escapatória. E como disse, eu amo trabalhar à noite (traduzindo: eu amo ser host, porque na noite eu não sei fazer nada mais além disso. Nunca poderia trabalhar do lado de dentro do bar, porque nem sei abrir cerveja!). Amo trabalhar com público, amo resolver problemas dos outros (que é uma das atividades mais corriqueiras de um host, sabia?). Por isso não pretendo perder 100% o contato com a noite. O que eu não posso mais é ficar de quarta a sábado, todas as semanas. Depois que aceitei o convite, não rola mais isso. Agora eu tenho que acordar cedo, recebo vale-refeição e chego em casa a tempo de ver a novela das 7. Virei classe média. HahahaCom tantos anos vendo tudo o que acontece na porta da Funhouse e em outras casas, conta pra gente os casos mais inusitados que presenciou?Ai, agora você me pegou, mesmo! Não sei. Às vezes, eu e alguns amigos que frequentam a Funhouse desde a inauguração ou ex-funcionários nos juntamos e vamos lembrando dos 'causos' e cada um tira uma história mais lá de fundo do baú do que o outro. Lembro dos fatos bizarros que eu protagonizo, como de uma menina que vai à Funhouse desde a inauguração, uns seis anos e meio de frequência... Quando fez mais ou menos dois anos que ela ia lá e eu ainda tinha decorado o nome dela - e nem ia decorar mesmo, porque na verdade eu nunca prestei atenção -, resolvi que a cada noite que ela fosse eu ia dar um nome para ela, o que eu quisesse. A partir deste dia, ela começou a se chamar Abigail, Sophia, Nancy, Audrey, Lourdes... Eu inventava, mas sempre com glamour, né!Fernanda Schimidtfe@bananamecanica.com.br
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