A banda gaúcha Walverdes comemora 15 anos de existência em 2008, e, para marcar a data, preparou comemorações de várias formas: criou um blog para relembrar histórias, vai relançar o EP 90 Graus e deve lançar disco inédito.Nesta semana o grupo se apresenta em São Paulo, onde tocará na quinta-feira (13), na festa da Peligro, no Milo Garage, com o relançamento de 90 Graus. No dia seguinte, tocam no Clube Praga, onde mostrarão todas as músicas do próximo álbum de inéditas, a ser gravado em maio, e sábado no Bar do Zé, em Campinas. O Banana Mecânica conversou com o vocalista e guitarrista da banda, Gustavo Mini, que contou com exclusividade os planos da Walverdes:Banana Mecânica: Vocês estão completando 15 anos e organizaram um blog para contar a história da banda. Isso vai ficar só na internet ou pretendem publicar algum material oficialmente?Gustavo Mini: O blog foi criado justamente pra não termos compromisso com algo maior no momento. Ele facilita nossa vida, porque podemos ir postando os textos e fotos à medida que temos vontade e vamos lembrando das histórias. Não há pressa ou grandes planos, vamos alimentando aos poucos até ele tomar corpo. Depois se vê o que se vai fazer. Não sei se vale a pena imprimir um livro. Há planos para algum show ou turnê comemorativa?Tudo o que fizermos este ano vai ser meio comemorativo, de certa forma. Não formalmente, mas eu me sinto comemorativo. Esta longevidade da banda se deve principalmente àquela idéia de "fazer música independente, independente das condições e expectativas"?Acho que a nossa longevidade se dá por alguns motivos bem simples. Primeiro, e o mais importante, acho que temos uma boa química musical na banda. Eu sinto que, a cada ano, damos um passo para frente musicalmente, dentro das nossas possibilidades. Segundo, gostamos de mostrar o resultado disso para as pessoas e ainda tem gente que se interessa seja [pelo material] ao vivo ou gravado. Tendo estes dois elementos, o resto se ajeita. Conte um pouco do 90 Graus, do lançamento original e de como pintou a chance de relançar pela Peligro.O 90 Graus foi um disco que surgiu depois de uma época um pouco conturbada na banda. Estávamos meio parados nos shows e cuidando de projetos paralelos: o Marcos, o Gian e o Bruno tocando com o Wander Wildner e eu ajudando na fundação da Tom Bloch, também tocando bateria numa banda chamada Wafers. Gravamos de forma meio dispersa, um pedaço numa época, outro pedaço na outra, mas quando tudo foi mixado e ficou pronto, surgiu o convite da Monstro Discos e foi o máximo, porque era uma gravadora do outro lado do país que começava a ter uma certa relevância. Fiquei muito feliz de poder sair dizendo por aí que nosso disco seria lançado por uma gravadora de Goiânia. Hoje, este tipo de coisa é mais comum, mas há nove anos não era tanto assim, ainda mais no sul, onde as bandas ficam mais por aqui. 90 Graus pode quase ser considerado nosso primeiro disco, foi o que começou a nos projetar de fato, foi trabalhado pela Monstro, teve uma boa cobertura da mídia, saiu na Guitar Player e na Folha de SP, foi além dos zines e sites, ampliamos um pouco nosso público com ele. Outra coisa interessante é que o show de lançamento não foi em Porto Alegre, mas no Curupira Rock Clube, em Guaramirim, interior de Santa Catarina, um lugar mítico em que gostamos de tocar. O relançamento veio do fato de muita gente nos pedir para comprar o CD mesmo podendo baixar na internet. Então, conversamos com a Monstro, que não teve interesse em lançar o disco nos moldes que gostaríamos - uma tiragem mais baixa e produção mais simples - e resolvemos relançá-lo pela Open Field. Entre Câncer, Meu Bar e Seja Mais Certo, e músicas novas, o que mudou no jeito e estilo de composição de vocês?Acho que naturalmente evoluímos, fomos ficando mais espertos e aprendendo uns com os outros a compor coisas mais diretas. Nossa evolução é sempre no sentido de lapidar o som, de tirar coisas. No próximo disco, praticamente não há solos de guitarra, por exemplo. Mas continuamos trabalhando sempre em cima de riffs marcantes e da repetição destes riffs, sempre foi o jeito que fizemos desde a primeira demo. Uma coisa que eu percebi nos últimos anos é que, diferente de muitas bandas de rock, nos Walverdes, o baixo nem sempre acompanha a bateria. É mais o riff de guitarra e a bateria que andam juntos, enquanto o baixo faz outra história. O Patrick trouxe isso muito com ele quando entrou na banda. Vocês vão mostrar em São Paulo um show com o disco novo inteiro, o que esperar destes shows e do disco? E já sabem como vai ser o lançamento?Dos shows, podem esperar o de sempre: shows diretos, concisos e eficientes. Quanto ao lançamento do disco novo, não sabemos ainda. Serviço:Walverdes @ Milo Garage 13 de março, quinta-feirarua Minas Gerais, 203A, Consolação, São Paulo$1023h Walverdes @ Clube Praga 14 de março, sexta-feira abertura: Zefirina Bomba rua Turiassú, 483, Perdizes, São Paulo $1023h Walverdes @ Bar do Zé 15 de março, sábadoabertura: Zefirina Bombaavenida Albino JB de Oliveira, 1325, Campinas$823hWilson Farinawilson@bananamecanica.com.br
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