What a Wonderful World [ainda sem acentos] A Soul Rebels Brass Band encerrou o primeiro dia de shows do setimo Satchmo Summer Fest com o que os organizadores chamaram de "o melhor publico do festival". E houve sim uma quase catarse, nao fosse tudo muito comportado. Foi acima de tudo uma bela homenagem, mesmo no menor palco dos tres que compunham a festa em comemoracao ao aniversario de 106 anos de Louis Armstrong. Satchmo, para quem nao sabia. Ainda para explicar, as brass bands sao formadas por instrumentos de sopro de metal (sem clarinete, gaita...), e uma secao ritmica. No Satchmo SF, mereceram um palco especifico, ao lado de um para o jazz tradicional e de um para o jazz contemporaneo. Pois bem, foi com uma metaleira furiosa que a Soul Rebels encheu de gente os fundos do US Old Mint, sede do festival e ex-fundicao de moedas americanas (alem de ex-museu de jazz, ateh o Katrina). Composta por um trombonista, tambem vocalista principal, dois trompetes, um sax tenor, um guitarrista japones, uma tuba, uma caixa e um bumbo, a banda segue os passos da Rebirth Brass Band, que tocaria no dia seguinte. O visual do grupo remete a bandas como o Soul II Soul, um rap/r'n'b longe do gangsta, bem comportado. Mas melhor do que o S II S, eles envenenam o som com funk pesado, e usam com categoria as convocacoes a danca e ao orgulho de ser de Nova Orleans. Winston Turner, o do trombone, tem carisma de sobra, mas falta ainda liderar o grupo a construir um repertorio mais consistente. Torcedores, ficou provado, nao faltam. O sabado tambem foi especial para Maurice Brown, no palco do jazz contemporaneo. Nem tanta gente viu, mas o clima era mais uma vez de torcida. E mais, de carinho. Brown explicou, no palco, que a proxima musica era do segundo disco, o que se repetiria varias vezes na segunda metade do show. Soh que o segundo disco soh vai sair em janeiro, quase tres anos depois do primeiro. O intervalo se deve ao Katrina. No fim da apresentacao, Brown me contou que perdeu tudo na passagem do furacao, mas que ainda assim decidiu ficar. E disse que sabe que fez bem. Se o publico nao era tao numeroso, a fila para comprar o disco que ja existe, o primeiro, era grande. Alias, o show dele mereceu bem mais do que solidariedade. Quase todo instrumental, a apresentacao eh altamente ligada as batidas que produtores como Mark Ronson e Timbaland tem espalhado por aih. Com uma banda formada por musicos de todo o pais, ele consegue dar um sabor mais amplo a um jazz criado a partir de Nova Orleans: um som quente e sofisticado, de composicoes proprias muito elaboradas - conectadas com o jazz atual e com a musica pop negra. Fora ser um grande instrumentista, e fazer solos bem alem do virtuosismo. A..., ele ainda eh o proprio vendedor de discos, ao fim do show. Ainda no sabado, Gabrielle mereceu uma dose de aplausos ao soltar o vozeirao de dez anos de idade no show da Storyville Stompers Brass Band. O grupo tem por caracteristica abrir espaco para os melhores alunos de musica da rede publica. Foi o caso do molequinho estrabico, que toca caixa direitinho, mas danca muito bem mesmo. Mais do que a menina, ele demonstrou mais malandragem ao lidar com o publico. E no que nao eh um defeito (afinal...), mas tem que ser dito, foi menos infantil. A propria Storyville ja tinha aberto as atracoes musicais na sexta a noite, na Frenchmen's street, ali do lado. Tocando por gorjetas, com o proprio menino vesguinho. Um repertorio de classicos da Louisiana, tocados em clima de baile de rua. Simples e perfeitinho assim. Mais cedo, a Mo'Lasses and New Orleans (mostly) Women's Brass Band foi uma atracao simpatica, com um som levado pelo banjo da dona Mo' e uma tipica sonoridade de anoitecer a beira do rio Mississipi, que voce ja deve ter ouvido em seriados e desenhos animados da tv. Quanto ao nome, fica a duvida, afinal o som nao eh o de uma brass band e o (mostly) esbarra na matematica, quatro contra tres, quase meio a meio. A Yoshio Toyama & the Dixie Saints abriu o palco do jazz tradicional com uma homenagem niponica a Louis Armstrong. Sem um toque de diferenca aos que os discos ja nos trazem, e a voz rouca do japa do trompete, fica uma vontade de sorrir assim meio amarelo. A Original Hurricane Brass Band chama para si o pioneirismo no formato reduzido de marchin' band (aquelas orquestrinhas americanas que marcham em qualquer festa tradicional do pais, e se espelham em bandas marciais militares) que eu tentei descrever no segundo paragrafo. E nao muito mais do que isso. E a Panorama Jazz Band eh a world music de Nova Orleans. Eh pelo clarinete de Ben Shenk e pelo acordeon de Patrick Harrison que ares da Argentina, leste europeu e Oriente Medio chegam ao chamado Vieux Carre, o centro da musica de Nova Orleans. Alegre, a formacao pouco usual (ainda tem tuba e banjo) mistura escalas diversas em uma celebracao de bom humor, mente aberta e referencias deslocadas. Merecia tocar mais tarde, para um publico maior. Salada boa.[Bem, assim que eu me acertar com os cabos e com o tempo, eu posto as fotos, falou?]
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