Resenha de showTítulo: Grandes Encontros - Almir Guineto & DorinaArtista: Almir Guineto e DorinaLocal: Teatro Rival (RJ)Data: 27 de julho de 2008Cotação: * * *Em cartaz em 28 e 29 de julho de 2008, às 19h30mIntegrante da formação original do Fundo de Quintal, Almir Guineto deixou o grupo logo após a gravação do primeiro álbum para seguir carreira solo iniciada em 1981. No auge da explosão do pagode carioca, nos anos 80, este compositor oriundo do Morro do Salgueiro, na Tijuca (RJ), se tornou um dos grandes vendedores de discos do Brasil por conta dos LPs Sorriso Novo (1985) e Almir Guineto (1986). Sua trajetória sairia dos trilhos - mais por problemas pessoais do que musicais - mas a força do repertório de Almir é grande. A ponto de seu cancioneiro ter respondido por alguns dos momentos de maior animação do show que (re)uniu o compositor a Dorina dentro do projeto Grandes Encontros, idealizado pelo Teatro Rival, onde o show vai ficar em cartaz apenas até sexta-feira, 29 de agosto. Merece ser conferido!!Emoldurados por bela luz que preencheu o palco do Rival, Almir e Dorina abriram o show com dois números feitos em dueto, Edital e Mel na Boca. Neste samba, a platéia já fez um coro tão forte que não restou dúvida de que a maioria do público estava ali para ver Almir. Mas coube a Dorina, com sua calorosa presença de palco, entreter esse público na primeira metade do show. Na companhia do conjunto Samba com Atitude, ela teve bons momentos como O Apito no Samba, Gota d'Água (imersa no universo do pagode sem perda da dramaticidade exigida pelo tema de Chico Buarque) e o medley que juntou Zé Tambozeiro (do repertório do Grupo Revelação) com Banho de Fé (do repertório do Fundo de Quintal). Mas nos sambas mais dolentes, de tonalidade romântica, casos de Na Hora de Voltar (Adalto Magalha e Adilson Gavião) e de Pedaço de Ilusão (parceria de Jorge Aragão, Sombrinha e Jotabê lançada por Beth Carvalho em 1981 no álbum Na Fonte), Dorina se apresentou menos sedutora. Talvez porque a atmosfera do show pedisse altos partidos como Fidelidade Partidária, no qual, aliás, a cantora deitou e rolou nas rimas ricas do craquíssimo Nei Lopes. Já com Almir de volta ao palco, Dorina reviveu com ele Lama nas Ruas (parceria de Almir com Zeca Pagodinho que se sustenta basicamente pelo refrão inspirado) e Mãos. Ela já havia cantado os dois temas no CD Sambas de Almir, dedicado ao repertório de Guineto e gravado ao vivo pela cantora em 2002 no mesmo palco do Rival onde ela se reencontrou com o compositor, que, na sua parte individual, fez o animado público cantar a plenos pulmões os versos de sambas como Conselho, Pedi ao Céu, Insensato Destino e Saco Cheio. Como intérprete, Almir peca pela dicção extremamente deficiente. O que prejudica o pleno entendimento das letras de músicas como Boca sem Dente. Em compensação, Almir é partideiro dos bons e reafirmou que tem o dom do improviso quando, já com Dorina em cena novamente, criou versos instântaneos para Não Quero Saber Mais Dela, um dos grandes destaques do roteiro. Neste bloco final, Almir e Dorina surpreenderam com o ufanismo consciente de Meu Sangue É Brasil - parceria de Guineto com Luverci Ernesto, lançada por Beth Carvalho em 1999 no CD Pagode de Mesa - e com Ouro Só, um samba que evoca a Bahia e que rendeu saudação da dupla a Dorival Caymmi (1914 - 2008). No bis, Caxambu confirmou o entrosamento de Almir Guineto com Dorina. Mesmo com alguns baixos entre partidos tão altos, o show é animado. O samba é bom.
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