Resenha de CDTítulo: Um Cantinho, um Violão e Bossa NovaArtista: VáriosGravadora: Som LivreCotação: * * *Com título inspirado em verso lapidar de Corcovado, o CD Um Cantinho, um Violão e Bossa Nova tem um subtítulo, Gravações Inéditas, que tenta dar um ar de novidade que, a rigor, não existe neste CD produzido por José Milton e editado pela Som Livre na carona das comemorações dos 50 anos da Bossa Nova. Desde que João Gilberto apresentou sua batida diferente num disco de 78 rotações por minutos lançado em agosto de 1958, muita música foi gravada com o rótulo de bossa nova sem ter a leveza e a própria batida do gênero. Não é diferente neste disco que junta intérpretes e violonistas em nome de um intimismo que nem sempre é bossa-novista. É o caso da faixa de maior beleza do disco. Na companhia do violão de Dori Caymmi, Mônica Salmaso oferece interpretação arrebatadora de Primavera - um dos melhores registros desta obra-prima de Carlos Lyra -num clima mais camerístico do que propriamente bossa-novista. Na mesma linha, Nana Caymmi, intérprete intensa por natureza, se destaca ao cantar Insensatez com o violão soberbo de Hélio Delmiro. E o casal Francis e Olivia Hime se harmonizam no dueto de Sem Mais Adeus gravado com o bom violonista Marco Pereira.Rótulos à parte, há gravações inusitadas. O violão original de Guinga guia Leila Pinheiro pelos mares já desbravados de O Barquinho. Ao lado de Roberto Menescal, Emílio Santiago reedita seu padrão de afinação em parceria desconhecida de Menescal com Lula Freire, Amanhecendo. Já Daniel Jobim, neto de Tom, evoca sem esforço o canto personalíssimo do avô ao reviver Ela É Carioca acompanhado pelo violão de Ricardo Silveira. Enquanto Yamandu Costa põe a habitual energia nas cordas de seu violão ao tocar medley que une O Astronauta e Deve Ser Amor. Joyce nada inventa, mas Discussão tão bem, se acompanhando ao violão, que a faixa se impõe no CD. O encontro de Danilo Caymmi com o grupo Os Cariocas em Chega de Saudade - faixa que agrega o violonista Eloy Vicente - também escapa de cair na vala comum em que derrapam, por exemplo, Carlos Lyra (Se É Tarde, me Perdoa - com sua filha Kay Lyra e o violão de Maurício Maestro) e Marcos Valle com trivial regravação de Samba de Verão (Valle apresenta seu clássico nos shows com bossa mais nova). Enfim, são outros violões, às vezes outros intérpretes, mas o cantinho ainda é o mesmo.P.S. 1: Indesculpável a Som Livre ter deixado o CD chegar às lojas uma capa em que o nome de Leila Pinheiro aparece grafado como Leila 'Pinhero'. Isso revela total desleixo com a edição do disco.
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