Resenha de documentárioTítulo: Waldick - Sempre no meu CoraçãoDireção: Patrícia PillarCotação: * * * *Foto: Wellington MacedoEm exibição no festival É Tudo Verdade:Rio de Janeiro: Cine Guadalupe (01/04, às 18h; 03/04, às 16h)São Paulo: Cinesesc (04/04, às 19h)Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil (19/04, às 20h)"A vida é assim mesmo", resigna-se Waldick Soriano à certa altura do documentário que marca a feliz estréia da atriz Patrícia Pillar na direção cinematográfica. Exibido em primeira mão no festival É Tudo Verdade, o filme Waldick - Sempre no meu Coração foca o cantor de 74 anos com olhar terno, mas isento e até mesmo duro em alguns momentos. Ao assumir a câmera, Pillar se despiu do papel de fã assumida do cantor - muito popular nos anos 60 e 70 - para reapresentá-lo com fidelidade nessa fase crepuscular. E o que se vê na tela é um Waldick corroído pela solidão. "Durmo sozinho. Meu companheiro é o travesseiro", confidencia o astro resignado. A declaração é feito por Waldick em meio a depoimentos de mulheres magoadas (e ainda apaixonadas) que ajudam o espectador a entender as razões da solidão que acompanha Waldick na velhice. Sem nunca perder a ternura pelo personagem, Pillar vai construindo o enredo que forma um retrato sem retoques do ídolo formado na "universidade da vida". Ex-garimpeiro e ex-engraxate, entre outras profissões desprezadas na escala social, Waldick se sagrou cantor e compositor das dores de amores - com pelo menos uma obra-prima no currículo, Tortura de Amor. Foi o ídolo de um Brasil que o Brasil finge ignorar. Mas que o filme de Pillar foca com generosos closes captados em cidades do interior da Bahia e do Ceará - locais em que Waldick volta e meia recupera a majestade ao subir em palcos pobres, quase improvisados, para cantar músicas como Vestida de Branco, Dama de Vermelho e Eu Também Sou Gente. Sim, o ex-garanhão Waldick Soriano também é gente. E o filme cresce quando Pillar consegue desarmar o caubói e fazê-lo sair do personagem que encarna como uma armadura. Em pungente entrevista, uma das últimas que concedeu para a cineasta estreante, Waldick abre o coração corrído por mágoas e desilusões familiares. E emociona o espectador ao se resignar diante da solidão, fiel companheira. Quando sobem os créditos finais, ao som de Cavalgada (Roberto e Erasmo Carlos) na voz de Waldick Soriano, está nu aquele que já foi o rei do Brasil interiorano. o Brasil tido como cafona (ou brega). E que sempre continuará rei no coração da (promissora) cineasta Patrícia Pillar.
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