Essa É Pra Tocar no Rádio Saiu na Folha, e de lá para os blogs rapidinho. Depois, chegou o email da assessoria de imprensa da Deck confirmando. O Nação Zumbi, vai gravar o quinto disco (contando com o póstumo) na quarta gravadora. Na Deck. A história da relação do Nação com gravadoras, em versão bem resumida, precisa ser contextualizada. Ainda com Chico Science, executivos da Sony acreditavam que aquele som novo de Pernambuco poderia ser o novo axé. Em uma história que até hoje é reavaliada pelos integrantes da banda, a gravadora botou Liminha para produzir o Da Lama ao Caos, e o entrosamento entre artistas e produtor não funcionou. Era difícl registrar os graves das alfaias, não havia microfone no Brasil para isso, enfim. O disco não vendeu o suficiente para fazer frente a Daniela Mercury, Carlinhos Brown e Olodum. E os pernambucanos tinham música em novela... Mas todo mundo torcia pelo CSNZ, e lá foram eles gravar o Afrociberdelia, com grana para convidados, naipe de metais, e produção de Bid ao lado da própria banda. A gravadora pressionou para incluir Maracatu Atômico no repertório (música que só voltou a ser tocada ao vivo depois da morte de Chico há pouco tempo, já na turnê do Futura). E forçou a inclusão de uma série de remixes no disco. Agora sim, a banda chegava ao disco de ouro. O terceiro era muito esperado, Chico comentava que estava compondo um frevo, vinha ouvindo muita música eletrônica (trance, dub e jungle, e isso há dez anos) comprada nas turnês pela Europa. A própria carreira da banda fora do Brasil chamava a atenção, tanto pelos sucessos quanto pelos encontros e pelo que isso renderia ao virar som. Mas um acidente interrompeu a expectativa. A banda ficou sem rumo, pensando até se valia a pena seguir. Lúcio Maia foi abordado para participar do Soulfly, um dos frutos das brigas que separaram o Sepultura. Não aceitou. E o Nação Zumbi lançou uma homenagem póstuma a Chico, ainda assinando com o nome dele. Seria o último disco pela Sony. E o primeiro da história que começava ali. O intervalo até Rádio S.Amb.A demorou, principalmente na cabeça dos fãs, e o disco mostrou uma virada importante: saíam as cores, entrava um ar sombrio, as tripas do samba. A gravadora YBrazil permitiu a gravação de um belo trabalho, mas a distribuição tornou muito difícil comprar, divulgar ou mesmo fazer com que as pessoas conhecessem o, agora sim, Nação Zumbi. Era a hora de partir para um lugar de mais fôlego, que não fosse uma volta atrás a experiência estranha da passagem pela Sony, na década de 90. A jovem Trama seria o lugar perfeito. Mantida por um grupo ligado a tíquetes de alimentação, não tinha a urgência por lucros de uma multinacional, e era conhecida pela liberdade com que lidava com artistas. Veio o Nação Zumbi, disco encalorado, amarelo, suado, pesado, empoeirado. E depois o Futura, preto e branco, frio, seco, praticamente uma sala de projeção onde se ouve até o tec-tec-tec do projetor. O Nação Zumbi é hoje uma banda respeitada, com vozes aqui e ali ressoando o tal Melhor Banda do Mundo. Até quem não acha, entende o argumento. Ver Lúcio Maia ou Puppilo tocar é uma experiência única. Du Peixe imprimiu a sua personalidade ao som, a voz que você enxerga é a cara da banda. A alegria religiosa de Toca Ogan, o baixo cada vez mais de personalidade de Dengue, a porrada e o suingue de Gilmar Bola Oito... E eles agora partem para uma gravadora com forte trabalho e aproximação da tv. O Nação Zumbi tem tudo para aparecer mais, entrar em novas audiências. Resta saber se as poucas entrevistas e relacionamento bissexto com veículos de comunicação vai mudar. Se depender do novo chefão João Augusto... O que mais interessa: o disco novo sai no meio do ano que vem.
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