Marisa Monte faz 40 anos neste domingo, 1º de julho. Sua quatro décadas de vida coincidem com os 20 anos de carreira exemplar - tomando-se como ponto de partida o seminal show no Jazzmania, em 1987, que detonou toda a explosão da mídia em torno de seu nome (a rigor, ela fizera em 1985 gravação juvenil para a trilha do filme Trop Clip). Alvo de adoração por parte do público e dessa mesma mídia, mas também da raiva destilada na mesma intensa proporção pela outra banda que desdenha seu sucesso e a maneira firme como conduz sua carreira, Marisa Monte sempre foi padrão e referência para todas as cantoras surgidas a partir dos anos 90. Não somente pela voz, depurada com rigor estilístico já no show de 1987, mas pela forma como se manteve em cena nessas duas décadas. Nunca se portou como celebridade, mas como artista.E poucos artistas no Brasil sabem usar a mídia a seu favor, como Marisa Monte, sem abrir mão de sua privacidade. Ela fala somente o que quer. E quando quer. E, às vezes, não quis - como na ocasião do lançamento do álbum Tribalistas (2002), obra-prima, cujo valor salta aos ouvidos a cada ano, embora já fosse perceptível na primeira audição para quem não tenta resistir à beleza impressa na assinatura de Marisa Monte como compositora (em geral, em parceria com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown). É assinatura bem pessoal que ela começou a esboçar em seu segundo álbum, Mais (1991), desfazendo a aura de cantora eclética que teimava em pairar sobre o seu trabalho por conta de um disco de estréia estupendo, MM (1989), em que se dava ao luxo de harmonizar um samba de Candeia, um rock dos Titãs e um xote de Luiz Gonzaga, entre outras pérolas recolhidas com o bom gosto que iria nortear sua carreira nos palcos, nos discos e na produção de CDs alheios.Infinito Particular - o show que está de volta ao Rio de Janeiro para temporada na casa Vivo Rio - é exemplo da capacidade desta artista de se reinventar em cena sem afrouxar seu eixo estético. É show mais íntimo e refinado em que a cantora se integra à banda como um músico - com direito a uma luz cinematográfica que já serve de referência para outros artistas. E a platéia entra no jogo de Marisa, consumindo, embevecida, um show que talvez achasse até hermético se outra cantora menos segura estivesse em cena.Em outras palavras, Marisa Monte não segue tendências. Ela é que determina tendências que serão seguidas - de forma assumida ou velada - por outras cantoras. Vale lembrar que bastou escapar a notícia, em outubro de 2005, de que a artista iria apresentar dois discos simultâneos para que outras intérpretes - inclusive Maria Bethânia - anunciasse intenção similar. Enfim, aos 40 anos de vida e 20 de música, Marisa Monte reluz. Há quem detecte marketing (ou até antimakerting...) em seu sucesso. Particularmente, ainda inebriado pela sedução crescente do show Infinito Particular, atualmente mais solto e mais pop (no final) sem prejuízo de sua estética cool, aponto sua música - situada em algum ponto entre a simplicidade e a sofisticação, a tradição e a modernidade - como o fator primordial para o brilho permanente da diva nesses 20 anos.
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